Hqs/Espaço Cristão
A grande maioria dos super-heróis da cultura popular manifestam sua religião, seja de maneira declarada ou sutil. É certo que nem todos possuem religião, sendo que uma boa parcela deles pode ser considerada agnóstica ou até mesmo ateísta. E são raros os casos em que a religião é expressada de forma absolutamente explícita.
Os criadores de histórias em quadrinhos não evitam deixar claro qual a religião deste ou daquele super-herói com medo de que o público possa rejeitar personagens com base em suas preferências religiosas. A verdade é que os elementos religiosos universalistas já estão inseridos de maneira dispersa na estrutura das próprias histórias.
Isso faz com que a declaração de preferência religiosa dos personagens
seja absolutamente descartável, e esta é uma das características mais
marcantes da espiritualidade contemporânea. Muitos estudiosos das
religiões afirmam que os super-heróis e suas histórias refletem os
valores e os arquétipos das religiões tradicionais de uma maneira
não-tradicional.
Esta lista dos 7 super-heróis mais famosos e suas religiões traz algumas
informações sobre as afiliações religiosas de alguns dos mais
conhecidos personagens das histórias em quadrinhos. É uma primeira
abordagem de uma série de artigos que tratarão da espiritualidade, da
religiosidade e do gnosticismo presentes nos quadrinhos, em suas
histórias e em seus personagens.
Continue lendo.
7. Lanterna Verde
Todo
fã sabe da existência de mais de uma encarnação do Lanterna Verde.
Contudo, Hal Jordan é o Lanterna mais conhecido, e também é um dos
super-heróis mais religiosos de todos.
Apesar das evidências de que Jordan era judeu, existem descrições que o
retratam como sendo um católico, mesmo que não de forma assim tão
explícita. Mas a sua religiosidade vai bem mais além disso.
Em muitas histórias, os Guardiões da Galáxia e o próprio Anel do Poder
são considerados místicos e os próprios Guardiões são descritos como
sendo uma mescla de deuses galáticos e altos sacerdotes.
Eles têm ideias muito claras a respeito do bem e do mal, e interferem em
outras culturas para promulgar seus valores e suas crenças. A Tropa dos
Lanternas Verdes age tanto como uma agência policial quanto como um
clero eclesiástico.
Por estes motivos, durante todo o período em que Hal Jordan encarnou o
Lanterna Verde, pode ser dito que sua religião era a própria Tropa dos
Lanternas Verdes e os Guardiões da Galáxia, mesmo que a Tropa não tenha
sido identificada explicitamente como uma religião.
Na verdade, a grande maioria dos membros da Tropa dos Lanternas Verdes
eram devotos de suas religiões nativas. Contudo, para Hal Jordan, ser um
Lanterna Verde era algo comparável a ser membro de uma determinada
religião, pois foi dela que ele extraiu boa parte de seus valores, seus
rituais, suas crenças e suas visões de mundo.
6. Mulher-Maravilha
De
acordo com os padrões contemporâneos de classificação da religiosidade,
a Mulher-Maravilha pode ser considerada uma adepta do paganismo, um
rótulo que pode ser melhor compreendido como tradição religiosa clássica
grega.
Também conhecida como Princesa Diana, a Mulher-Maravilha é uma amazona
nativa da Temiscira, local onde a adoração aos deuses gregos fazia parte
natural de sua cultura.
Ao nascer, depois de ter sido moldada a partir do barro por Hipólita,
sua mãe, ela recebeu como dons divinos a sabedoria de Atena, a beleza de
Afrodite, a velocidade de Hermes, e outros poderes milagrosos.
Diana se dirigia diariamente ao templo e reverenciava as estátuas dos
deuses Olimpianos. Ela chegou muitas vezes a encontrar pessoalmente
estes deuses, e até lutou com alguns deles.
Mesmo tendo sido nascida e crescida numa cultura impregnada pela
religiosidade, e sendo filha da própria Rainha das amazonas, a
Mulher-Maravilha acabou assumindo de forma consciente e voluntária o seu
papel como embaixadora da Temiscira e dos deuses gregos perante a
humanidade.
A heroína é retrata diversas vezes pedindo ajuda à Hera, uma das
principais divindades gregas femininas. Em suas aventuras na Liga da
Justiça, ela convive com Aquaman, descendente dos atlantes, e com ele
divide sua fé nos poderes de tais deuses antigos.
5. Hulk
Normalmente,
Bruce Banner é visto como mais um cientista sem religião. Contudo,
existem evidências bem concretas mostrando que o Hulk era católico
praticante.
A afiliação religiosa de Bruce Banner nunca foi revelada de maneira
explícita até o momento de seu próprio funeral, onde as pessoas foram se
despedir de um Hulk, que na verdade não estava morto.
Neste funeral, há a exibição de um discurso elaborado por ele mesmo, no
qual deixa clara a sua crença na vida após a morte, dando um primeiro
indício de que observava os preceitos católicos, ainda que de forma
bastante privada.
Depois de ter matado mais de 800 pessoas em um ataque de fúria, Hulk foi
capturado pela SHIELD e levado até o oceano para ser morto com uma
bomba. No caminho, o Homem de Ferro deposita nas mãos de seu corpo
inconsciente um rosário católico com um crucifixo.
Além disso, a cerimônia de casamento de Bruce Banner com Betty Ross foi
realizada por um sacerdote católico e no interior de uma igreja
católica, algo que não seria permitido a menos que ambos os noivos
fossem católicos.
Outra questão que faz pensar na religiosidade católica e nas crenças de
Bruce Banner é que ele nunca considerou seriamente tirar a própria vida
para que o Hulk não matasse tantas pessoas ou destruísse tantas
propriedades, já que o suicídio é um dos piores pecados para o
catolicismo.
4. Wolverine
Wolverine
permaneceu sendo por muito tempo um dos personagens mais misteriosos
dos quadrinhos, por causa da sua falta de memória sobre sua juventude e
as origens de seu esqueleto de Adamantium.
Por isso, pouco se sabe a respeito de sua afiliação religiosa, exceto
que foi criado em um lar de devotos cristãos canadenses. Não existe
certeza sobre isso, mas considera-se que sua família era protestante.
Ao menos em sua adolescência ele possuía uma fé muito forte em Deus,
rezava bastante e procurava viver de acordo com a ética e a moral
cristãs.
Alguns sugerem que hoje Wolverine é um ateu, o que ele já foi em muitos
momentos, havendo declarações suas neste sentido. Uma história mostra
como Logan se tornou ateu com a morte de sua namorada durante a Segunda
Guerra Mundial.
Mesmo assim, depois de muitas outras experiências, o mais apropriado é
considerá-lo tanto como um cínico quanto como um cético. Existem
diversas oportunidades em que Wolverine vive situações metafísicas que o
levam a crer em fenômenos imateriais, incluindo Deus e o Céu, o qual
teria visitado em outra história.
Além disso, Wolverine estudou artes marciais no Japão, onde praticou
budismo e xintoísmo. Sua última noiva, Mariko Yashida, vinha de uma
família xintoísta. Mariko adorava a deusa solar xintoísta Amaterasu. O
casamento de Logan e Mariko que acabou não acontecendo, teria sido
realizado segundo a tradição xintoísta.
3. Homem-Aranha
Apesar
da falta de clareza sobre a afiliação religiosa de Peter Parker,
existem elementos suficientes que apontam para uma formação protestante,
em especial o fato de que sua tia May, a mulher que exerceu a maior
influência em sua vida, era protestante.
Peter Parker nunca foi mostrado frequentando igrejas ou realizando
práticas religiosas, mas sua fé em Deus aparece de tempos em tempos, e
sua mentalidade protestante pode ser vista em seus comportamentos e
conjunto de valores.
Seu grande interesse pela ciência nunca o transformou num ateu ou
materialista que pretende observar tudo sob o prisma científico. Como a
maioria dos cientistas, Peter Parker acredita em Deus, e combina esta fé
com uma boa dose de racionalismo moderno, uma espiritualidade bastante
pragmática e um inquestionável altruísmo humanitário.
Vários roteiristas das histórias do Homem-Aranha deixaram pistas sobre a
religiosidade de Peter Parker, mas o caso mais curioso é o de J.
Michael Straczynski, que mesmo se declarando ateu, concebeu as histórias
que demonstram com maior clareza a espiritualidade e a religiosidade de
Peter Parker.
Há muitas passagens nos quadrinhos nas quais é possível observar Peter
Parker orando e conversando com Deus. E em uma delas Deus responde às
suas indagações. Alguns consideram que a voz que responde não é de Deus,
mas da própria imaginação de Peter, que especula sobre as possíveis
respostas divinas, o que não descaracteriza a religiosidade do
personagem.
2. Batman
Um
dos personagens de maior multiculturalidade espiritual do mundo dos
quadrinhos, Batman pode ser considerado, a princípio, como um
não-praticante católico e anglicano.
Como o pai de Bruce Wayne era anglicano e sua mãe era católica,
especula-se que sua relação superficial com a observância religiosa se
deve provavelmente à ausência de unidade religiosa em sua família.
Muitos consideram que Batman é um ateu ou agnóstico, ignorando que, no
universo ficcional onde vive, ele testemunhou a existência de seres
divinos ou mesmo deuses de panteões mitológicos.
Contudo, há algumas poucas histórias em que o próprio se declara ateu, e
outras em que se declara cristão. Sua relação com a espiritualidade
parece ser constante, mas sua denominação religiosa varia de acordo com
suas experiências e com o autor das histórias.
Uma parte importante da história religiosa de Batman é que antes de se
tornar o justiceiro de Gotham ele viajou pelo oriente, estudou em
diversos monastérios e praticou uma série de religiões diferentes. A
maioria de seus professores neste período era budista, e eles ensinaram a
Bruce Wayne não apenas as artes marciais, mas também suas filosofias,
suas práticas e seu misticismo.
As viagens e os treinamentos de Bruce Wayne não servem apenas para
entender como um menino rico e mimado se tornou um dos maiores lutadores
do mundo, mas também permite compreender a religiosidade e o caráter do
Batman, que já foi considerado pelo escritor Grant Morrison como um
guerreiro zen e superconfiante.
1. Super-Homem
Os
criadores do Super-Homem, Jerry Siegel e Joe Shuster eram judeus, e
existem muitas especulações sobre a natureza messiânica deste que é o
mais famoso de todos os super-heróis.
No entanto, o Super-Homem sempre foi retratado como tendo sido criado no
ambiente protestante da família Kent, seus pais adotivos. Martha Kent é
retratada como uma fervorosa devota, e seu pai como um excelente
conselheiro.
Crescido na pequena Smallville, no estado do Kansas, Clark Kent
frequentava a Igreja Metodista na companhia de sua mãe todos os
domingos, até que completou quatorze anos de idade.
O jovem Clark Kent deixou de frequentar a congregação quando seus
super-sentidos começaram a se desenvolver. Há um momento em que Clark
conta a Lois Lane que tomou esta decisão quando começou a saber demais
sobre as vidas, os problemas e as mentiras das pessoas, e temia perder a
fé na humanidade.
Desde este momento ele decidiu deixar de atender aos cultos e
reposicionou sua fé naquilo que as pessoas têm para oferecer de melhor.
Mesmo assim, vários quadrinhos mostram que Clark Kent continuou a fazer
visitas ao ministro da paróquia de sua família, mesmo após ter assumido a
identidade de Super-Homem.
Todas as vezes que perguntavam ao Super-Homem se ele era um Metodista,
sua resposta nunca era negativa. Na verdade, ele preferia não responder à
este tipo de pergunta especificamente denominacional, mas fazia questão
de sugerir que respeita as pessoas de todas as crenças e tradições,
considerando a si mesmo como um servo da humanidade.
Por Giordano Cimadon
Fonte: Sociedade Gnóstica

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